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peer-to-peer lending - empréstimos coletivos
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Peer-to-Peer Lending (Empréstimos Coletivos) – Tudo Sobre

O peer-to-peer (P2P) lending, conhecido em português como  “empréstimo coletivo”, “financiamento coletivo”, “comunidade de empréstimos” ou ainda “empréstimos entre pares”, é parte da maior revolução do mercado financeiro nos últimos anos, com o surgimento das FinTechs – startups que utilizam tecnologia para simplificar os serviços bancários e substituir os bancos.

 

Relembrando o Sistema Bancário Tradicional

 
Bom, antes de falar de peer-to-peer lending, vale a pena lembrar basicamente como funciona um banco: De um lado temos os investidores, que colocam suas economias no banco em troca de um retorno –  por exemplo a famosa poupança. Do outro lado temos os tomadores de empréstimos, que pegam dinheiro do banco e repagam com o acréscimo de uma taxa de juros. Simplificando (bastante), o modelo de negócio do banco é fornecer o menor retorno possível para os investidores e por outro lado, a maior taxa de juros para tomadores, assim a diferença é a margem que fica para o banco. Essa margem de lucro é conhecida mundialmente como spread bancário.
 
O spread bancário é a diferença, em pontos percentuais (p.p.), entre a taxa de juros pactuada nos empréstimos e financiamentos (taxa de aplicação) e a taxa de captação.
 
Spread Bancário = Taxa de juros – Taxa de retorno
 
Por exemplo, se uma instituição captou recursos por meio de CDB com retorno de 12% a.a. para os investidores, e concedeu um empréstimo com taxa de 40% a.a., então o spread bancário dessa operação é de 11 p.p.:
 
Spread Bancário = 40% – 12% = 28% = 28 p.p.
 
Por meio desse spread o banco obtém seu faturamento, que após todos os custos e despesas (pessoal, manutenção, agências, etc) irá gerar o seu lucro líquido. O quadro abaixo mostra uma comparação do spread bancário em 2011 e 2015 no Brasil.

transferwise

 
Note que o spread é bem maior para pessoa física do que para pessoa jurídica, além disso a modalidade de crédito direcionado (empréstimos associados à um fim expecífico – compra de imóvel por exemplo) oferece taxas bem menores que crédito livre, modalidade na qual o tomador pode fazer o que quiser com o dinheiro.
 
Esse spread de aproximadamente 30 p.p. para pessoa física coloca o Brasil como vice-campeão de spread no mundo inteiro, conforme vemos abaixo no gráfico do Banco Mundial (World Bank):
 

  Fonte: Banco Mundial
 
Os bancos dizem que precisam ter um spread alto para poder suprir a inadimplência. Todavia, analisando o índice de inadimplência mundialmente, não se vê uma correlação entre o alto spread com a taxa de inadimplência brasileira:
  

 Fonte: Banco Mundial
 
O quadro acima demonstra que o Brasil possui uma taxa de inadimplência média de 3,3% , sendo que o país é “apenas” o 72º mais inadimplente do mundo. Países como Itália, Irlanda, Rússia, Bélgica, e até mesmo Áustria tem uma taxa de inadimplência maior.
 
Qual é o resultado de ser o país com o 2º maior spread do mundo e simultaneamente ter uma baixa taxa de inadimplência? Essa conta só pode levar para um lugar: lucro para o banco. 
 
E o que acontece em um cenário de crise? O gráfico interativo abaixo nos permite observar, dentre outros pontos, o lucro e a inadimplência de 3 grandes bancos privados brasileiros no 1º trimestre de 2015 e 2016:
 

 
 Em um cenário de crise nacional, os tomadores de empréstimos não conseguem pagar as altíssimas taxas de juros dos bancos, aumentando o percentual de inadimplência. O quão bom seria para a economia nacional se houvesse uma maneira de transferir crédito sem passar pelo gigantesco spread dos bancos brasileiros…
 
 

A Proposta do Peer-to-peer Lending

 
Nesse contexto, o P2P lending surgiu como uma alternativa para ambos os lados não dependerem dos bancos. Ora, se o João precisa de dinheiro e ao mesmo tempo o Carlos tem dinheiro para investir, por que não conectá-los diretamente e garantir taxas melhores do que conseguiriam nos bancos?
 
Pensando de uma forma simples e coletiva, as plataformas de P2P Lending são sites que conectam pessoas (ou empresas) que estão buscando empréstimos com investidores buscando retornos acima da média.
 

Como funciona?

Existem inúmeras variações na maneira de funcionamento das plataformas por todo o mundo, mas de maneira geral, elas seguem os passos a seguir:
  1.  O tomador do empréstimo se inscreve na plataforma, preenche uma série de informações e solicita o empréstimo.
  2.  A plataforma analisa a solicitação e aprova ou rejeita.
  3.  Caso aprovada, a solicitacao é publicada na plataforma.
  4.  Os investidores cadastrados acessam a plataforma e vêem todas as solicitações listadas, escolhendo quais lhe são atrativas e então podem investir.
  5.  Caso a solicitação receba um número suficiente de investidores para completar 100% do valor solicitado, o empréstimo é então concretizado e o montante arrecadado é transferido para o tomador do empréstimo.
  6.  Nos meses subsequentes, o tomador do empréstimo deve realizar os pagamentos de acordo com a taxa de juros e prazo acordados.

 

Quem pode participar?

O P2P lending surgiu como uma solução para pessoas, dai o termo peer-to-peer. Porém, hoje em dia existem muitas plataformas que também aceitam empresas como tomadores do empréstimo e investidores institucionais. Também existem plataformas especializadas em nichos, como por exemplo, financiamento estudantil ou mercado imobiliário. Ou seja, é uma alternativa aberta para diferentes segmentos.

 

Quais são as vantagens?

Não é novidade nenhuma que os bancos não estão satisfazendo às necessidades de seus clientes. Com o peer-to-peer lending, os usuários conseguem uma série de vantagens:
 

Do lado dos tomadores, a principal vantagem é a taxa de juros, que geralmente é menor do que aquela oferecida pelos bancos. Além disso, o processo é 100% online , portanto muito mais simples e fácil do que pedir um empréstimo em um banco.

Já para os investidores, a taxa de retorno também a principal vantagem. Ou seja, ao invés de obter aproximadamente 6,5% ao ano na poupança, ou em torno de 13% em um CDB, por meio do peer-to-peer lending poderia obter retornos em torno de 15% a 25% a.a. Além do retorno, simplicidade, facilidade e controle total dos investimentos são outros benefícios.

 

Mas e os riscos?

Sim, claro que existem riscos atrelados ao peer-to-peer lending, como em qualquer investimento de maior rentabilidade. E devemos tratá-los com muita atenção. Para obter o retorno esperado, o investidor deve entender quais são eles e investir de maneira consciente. Abaixo vão algumas dicas e pontos de atenção:
 
  1. Entenda as regras do jogo: O primeiro passo é o aprendizado de como funciona a plataforma que você está investindo. Cada marketplace possui um conjunto de regras diferentes, que variam em relação a diversos fatores, como por exemplo, quem estabelece a taxa de juros, se é um leilão ou taxa de juros pré-estabelecida, o prazo de recebimento dos pagamentos, etc. É essencial que o investidor estude-as antes de investir.
  2. Diversifique! Após compreender como funciona, é hora de investir! Regra número 1: diversifique! Esse é o principal conceito que um investidor precisa ter em mente, não coloque todos os ovos em apenas uma cesta. O financiamento coletivo pode oferecer taxas de retorno bem maiores do que outros investimentos. Porém, para evitar perdas, o investidor deve diversificar seus investimento. Meu conselho é que nenhum investimento isolado deve representar mais do que 5% de todo o portfólio. Ao passo que o montante investido vai aumentando, esse percentual deve ser ainda menor.
  3. Invista de forma consciente: Antes de fazer qualquer investimento, analise e estude a empresa ou pessoa que vai receber o seu dinheiro. Parece um processo difícil, e é, mas apenas no início. Ao se tornar um investidor frequente, você irá saber os atalhos de como analisar corretamente e de maneira fácil e rápida uma empresa ou pessoa que solicita crédito. Muitas plataformas ainda oferecem ferramentas que diversificam e investem seu dinheiro automaticamente, respeitando alguns filtros previamente estabelecidos. Após pegar a confiança na plataforma, essa ferramenta é uma ótima alternativa.
  4. Inadimplência é parte do jogo. Sim, infelizmente é assim que funciona. Por mais criterioso que você e a plataforma sejam, sempre haverá um percentual de tomadores que não pagarão o empréstimo conforme acordado. Esteja ciente disso e não deixe que afete o seu retorno. Lembra da regra número 1? Diversifique! O investidor consciente sabe que X % do seu portfólio poderá entrar em default (inadimplência) e isso não afeta o seu retorno, pois foi planejado levando esse percentual em consideração. Procure saber qual a taxa média de default da plataforma em que está investindo, diversifique e leve esse percentual de perda em consideração no seu planejamento.
Seguindo esses passos, o investimento em plataformas de financiamento coletivo são ótimas alternativas. O peer-to-peer lending vem crescendo imensamente, sendo que seu imenso potencial está sendo descoberto aos poucos.
 

Peer-to-peer: Histórico e Perspectivas Futuras

 

O Início

O peer-to-peer lending está crescendo expoGiles-Andrews_LGnencialmente e conquistando o mundo, mas nem sempre foi esse sucesso. Tudo começou em 2005 com Giles Andrews, fundador da britânica Zopa (foto).
Logo depois surgiram as norte-americanas Prosper e Lending Club, em 2006. Na maioria dos países enfrentou problemas regulatórios, pois a atividade de aproximação das partes realizada pelas plataformas, muitas vezes é confundida com intermediação financeira. Demorou um tempo para essa nova modalidade se provar uma alternativa de crédito que traz benefícios para a sociedade. Um exemplo disso foi a Prosper, segundo maior plataforma dos EUA que precisou parar as operações por quase 9 meses em 2008; e a própria Zopa que teve problemas com suas operações na Itália.

 

Crescimento

No entanto, por volta de 2011-2012 o jogo virou. O peer-to-peer lending mostrou o seu valor e as autoridades locais precisaram agir para regulamentar essa nova atividade. Como aconteceu na Inglaterra, onde em 2014 o governo reconheceu a importância crescente do financiamento coletivo e regularizou essa nova modalidade de empréstimos (FCA 2014).
A Lending Club, maior player do ocidente, lançou a sua oferta pública inicial (IPO) em Dezembro de 2014, onde captou mais de U$8.9 bilhões.
 

Tendência

No mundo inteiro essa modalidade de empréstimos está ganhando cada vez mais espaço e o crescimento tem sido exponencial, conforme pode ser visto no gráfico abaixo, que representa o total de empréstimos facilitados na Inglaterra, um dos mercados mais estáveis e maduros:

 

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Crescimento de Empréstimos com Peer-to-peer Lending na Inglaterra

 

Plataformas pelo Mundo

A figura abaixo fornece uma visão geral das principais plataformas de p2p lending ao redor do mundo:
 
peer-to-peer lending global
Empresas de Peer-to-peer Lending no Mundo

America Latina

Na America Latina, o mercado de empréstimos P2P ainda não é desenvolvido como na Inglaterra ou EUA. No momento, as principais três empresas que oferecem empréstimos peer-to-peer são: Afluenta (Argentina), Cumplo (Chile) e Prestadero (México). No entanto, estamos em um momento chave onde diversas plataformas estão surgindo e devem ser apoiadas pois fomentam o crescimento das comunidades locais.
 

No Brasil

Até o momento no Brasil não existem muitas opções de empréstimos que utilizam peer-to-peer lending, devido principalmente às restrições do banco central, que determina que apenas instituições financeiras podem fornecer empréstimos com taxas de juros acima de 12% ao ano.
 
A alternativa encontrada por algumas startups do ramo foi fazer uma parceria com uma instituição financeira, visando legitimizar suas operações frente o Banco Central.
 
Opções de plataformas de peer-to-peer lending no Brasil:
 
  • Empréstimos para pessoa física: Muitas plataformas estão trabalhando com empréstimos online, mas até o momento nenhumas delas é peer-to-peer, ou seja, obtém o capital de grandes investidores.
  • Empréstimos para pessoa jurídica: Uma boa opção de empréstimos coletivos para pequenas e médias empresas é a Nexoos, que oferece taxas de juros de 20% a 35% para empresas solicitantes e investidores da plataforma. Para a empresa é importante analisar a o CET (custo efetivo total), que é a taxa efetiva do empréstimo após contabilizar os custos da plataforma e o IOF (imposto sobre operações financeiras); para o investidor a taxa a analisar é a TIR (taxa interna de retorno), que mostra o retorno líquido do investimento.
Esperamos os próximos capítulos e principalmente que o Brasil venha a ter grande relevância nesse meio.

E aí? Leu todo o artigo? Parabéns! Você agora está por dentro de um dos mais interessantes fenômenos da história recente da economia mundial!

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Nexoos - Empréstimos P2P

Formado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP, James fez parte da AIESEC por 4 anos, trabalhando a nível Local e Nacional em 3 países diferentes. Hoje é Head de Produto e Dados na Nexoos, gerenciando o desenvolvimento da plataforma e os produtos financeiros associados.

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